+Academia: Fez-se silêncio pelo planeta

Greta Thunberg deu o primeiro passo e, no passado dia 13 de março, o mundo juntou-se à jovem de 16 anos numa greve que pretendeu alertar para as alterações climáticas, consciencializando todos em favor do planeta.

Cerca de 50 pessoas na Covilhã, em silêncio, caminharam desde a Faculdade de Artes e Letras (FAL), onde foi lido o manifesto da greve, até à câmara municipal da Covilhã. Ao longo da caminhada um jovem foi apanhando lixo pela rua e chegados ao destino, outros jovens juntaram-se a ele e apanharam beatas, plástico, entre outros detritos do chão.

Pessoas de todas as idades e nacionalidades diferentes, juntaram-se ao Movimento Académico de Proteção Ambiental (MAPA), que organizou a greve na cidade, para lutar pelo planeta. O movimento, criado em 2018, pretende incentivar e semear o pensamento consciente e responsável perante as questões ambientais, dentro da comunidade ubiana.

A greve, de carácter silencioso, teve como objetivo criar impacto e “marcar a diferença”, tal como sublinhou o estudante de Engenharia Informática e fundador do MAPA, João Domingos.

Foram várias as medidas que os organizadores referenciaram para mudar os problemas atuais da Terra. A implementação de taxas de CO2 nos alimentos, a colocação de bebedouros na universidade e a reflorestação da encosta da serra, foram algumas das medidas citadas.

Já em frente à câmara municipal, explicaram aos presentes que não bastam as ações do governo. “Cabe a toda a população fazer mais”, referiu Daniel Pais, um dos organizadores. “Restam 12 anos, segundo a comunidade científica, para mudar o paradigma atual”, sublinhou ainda. Foram também 12 os minutos de silêncio absoluto, no meio da estrada e com os cartazes ao alto, que os grevistas fizeram junto à câmara da Covilhã.

“O nível de consciência está a aumentar cada vez mais e este tipo de eventos também serve para transmitir esta forma de ver o mundo. Com a internet e com a circulação da informação, a verdade vem ao de cima mais facilmente, e a população pode ver os factos e conferi-los. Acho que é isso que interessa às pessoas mais pragmáticas: verificar os factos e agir”, enalteceu João Domingos.

Os Guardiões da Serra da Estrela que têm como propósito realizar ações que contribuam para proteger a Serra da Estrela e conservar o património natural e cultural, também se fizeram representar.

“Como em todas as greves o objetivo é chamar à atenção para o que se está a passar e também mostrar que qualquer cidadão tem um papel como agente de mudança”, apontou um dos membros dos guardiões, Sara Boléo.

Sara Boléo alertou ainda para a importância da implementação de novos modelos de reflorestação. “Chega de monoculturas, tem de haver uma maior diversidade, o ecossistema é diverso e todas as plantas têm o seu papel. Estamos a diminuir a biodiversidade e é preciso diversidade em todos os sistemas, porque é isso que nos torna resilientes, a nós humanos e à própria comunidade de fauna e flora”, frisou.

As greves decorreram por todo o mundo e em Portugal, várias cidades se juntaram para dizer “basta” às alterações climáticas. Na cidade da Covilhã, o MAPA promete não parar e continuar a lutar pelo ambiente e pelo planeta Terra.

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